PUE e a Eficiência Energética no Data Center

Termo foi difundido em 2007 pelo The Green Grid, um braço da associação ITI (Information Technology Industry)

9 July 2019 escrito por Rodrigo Cianfroni

PUE e a Eficiência Energética no Data Center
Rodrigo Cianfroni, consultor de infraestrutura de missão crítica no Banco Votorantim pela CFS Engenharia
O termo Power Usage Effectiveness (PUE), amplamente conhecido na indústria de data center como a medida de eficiência no uso de energia dos ambientes de TI, foi difundido em 2007 pelo The Green Grid, um braço da associação ITI (Information Technology Industry). Em linhas gerais, é a relação entre o total de energia consumida pelas instalações de um data center e a energia entregue aos equipamentos de TI.
 
No entanto, o PUE não é o único indicador de perfomance (KPI) energética para um data center. Em 2016, a ISO (International Organization for Standardization) publicou a ISO/IEC 30134, um conjunto de indicadores para o setor, incluindo o REF (Renewable Energy Factor = fator de energia reutilizada). No ano seguinte a ISO incluiu o ITEE (IT equipment energy efficiency for servers = eficiência energética dos equipamentos de TI para servidores) e o ITEU_SV (IT Equipment Utilization for servers = utilização de equipamentos de TI para servidores).  A parte 2 da ISO/IEC 30134 detalha o PUE, bem como as categorias de medição. Descreve a sua relação com a infraestrutura do data center, os equipamentos de TI e as operações de TI.
 
Um data center idealmente eficiente possuiria um PUE igual a 1, ou seja, sua infraestrutura consumiria a mesma energia consumida pelos equipamentos de TI para a distribuição da energia, o resfriamento dos equipamentos e para serviços secundários: iluminação, o circuito fechado de televisão, controle de acesso e demais sistemas de automação e segurança. Mas a realidade mundial é encontrar medições próximas de 2. Ou seja, o data center consome o dobro da energia demandada por TI.
 
Pesquisas anuais do Uptime Institute, autoridade global em data centers, apontam que houve uma queda nessa média. Na primeira pesquisa, em 2007, a média encontrada foi 2,5. Ao longo dos anos a média apresentou um curva de queda até 2018, quando o valor foi de 1,58. Supreendentemente a média subiu em 2019, para o patamar de 1,67, o que representaria um retrocesso comparado a 2013, cuja média foi 1,65. O próprio Uptime Institute apenas fez especulações para explicar essa virada na curva, mas a única conclusão foi que apesar do PUE representar uma medida de eficiência, ela não é a única.
 
Há inúmeras maneiras para se melhorar a eficiência energética do data center. Dentro da plataforma de eficiência energética européia, a E3P (European Energy Efficiency Plataforma), há o Código de Conduta para Eficiência Energética para Data Centers, reunindo um conjunto de melhores práticas. O Código pode ser acessado gratuitamente por qualquer usuário, e usado em qualquer território.
 
Dentro do data hall, remover servidores inativos que são mantidos ligados mas sem atividade, é útil para a eficiência. Deste modo o data center deixará de utilizar recursos para alimentar e refrigerar estes equipamentos. No entanto, esta não é uma tarefa simples, já que requer o mapeamento fidedigno do parque, o que pode deixar profissionais de TI receosos em cometer uma falha caso seja desligado um servidor por engano.
 
Na infraestrutura, a substituição de nobreaks antigos, por equipamentos mais eficientes, cujo fator de potência esteja próximo de 1 auxilia na melhoria. Outra recomendação é a substituição das baterias de chumbo-ácido por Lítio-Íon. Uma boa estratégia nesse quesito é utilizar UPS modulares, em que se mantenha ligados os módulos necessários para alimentar a carga.
 
Equipamentos com pouca carga desperdiçam muita energia 
 
A área de refrigeração recebe grande atenção quando o assunto é eficiência energética. Aproximar o equipamento de refrigeração da fonte de calor é o grande fator de sucesso nesse quesito, o que implica em garantir retorno pleno, encaminhamento do fluxo de ar sem obstrução, evitar mistura de ar quente ao ar frio, e muitos outros pontos. O confinamento de corredores, seja o frio ou o quente, também causa impacto positivo no gasto energético. Mas todas essas melhorias terão efeitos quando a temperatura de retorno for mais alta, e no corredor frio for adotado temperaturas em torno de 25°C. O uso do free cooling vem se expandindo, mesmo em locais onde tradicionalmente não se pensaria nesse tipo de solução.
 
Para se melhorar a eficiência devemos quebrar alguns paradigmas, como a crença de que os equipamentos de TI devem ser refrigerados em temperaturas abaixo de 20°C. Outro ponto a ser considerado é a taxa de ocupação em relação a capacidade. Ambientes com baixa carga representarão baixa eficiência. E essencialmente começar a pensar nas outras métricas citadas, como o fator de energia reutilizada.
 
 
*Rodrigo Cianfroni é consultor de infraestrutura de missão crítica no Banco Votorantim pela CFS Engenharia.
 
 
 

 

CONECTAR-SE COM DCD

ENTRAR


Esqueci a senha?

Criar conta MyDCD

Você precisa de profissionais qualificados?

regiões

region LATAM y España North America Europe Em Português Middle East Africa Asia Pacific

Whitepapers Ver Todos