Almeida França lidera obra do Centro de Operações Espaciais da Telebras

Expectativa é de que todo o complexo seja finalizado até o início de agosto, mês em que será iniciado o comissionamento e testes de todo os sistemas instalados. Em outubro deste ano, é esperada a vinda de representantes do Uptime Institute para a certificação Tier

22 July 2019 escrito por Tatiane Aquim

Almeida França lidera obra do Centro de Operações Espaciais da Telebras
Marcos Pinheiro, Diretor Técnico da Almeida França
Localizado em Brasília (DF), o Centro de Operações Espaciais Principal (COPE-P), se posiciona hoje, como referência nacional e internacional, pela complexidade e modernidade de suas instalações. Trata-se de um conjunto de edificações que compreende 14.000 m² de área construída, 4.500 m² de bloco técnico operacional, com a missão de operar e monitorar o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), sob responsabilidade da Telebras, primeiro satélite brasileiro foi concebido exclusivamente para a transmissão de dados com alta velocidade e qualidade na banda Ka, cobrindo todo o território nacional e a Amazônia Azul. O Centro possui disponibilidade de atender outros satélites geoestacionários e de baixa órbita.
 
Além de completar a infraestrutura terrestre do SGDC, o COPE-P compreende o Centro de Operações Espaciais Secundário (COPE-S), no Rio de Janeiro, e as Gateways (estações de acesso) em Campo Grande (MS), Florianópolis (SC) e Salvador (BA)
 
 
A estrutura de missão crítica, entregue em dezembro de 2018, contempla um “bunker” para acomodação da área de data center com resistência contra choques balísticos, situações de ataque e imprevistos da natureza.
 
Entre os principais objetivos do projeto estão, fornecer conectividade de internet em banda Ka para escolas públicas, unidades de saúde, postos de fronteiras, áreas indígenas e quilombolas dentro do Programa Internet para Todos; atender o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) em todo o Brasil, incluindo os locais carentes e remotos; e promover segurança nas comunicações estratégicas do país. Parte de uso do satélite ocorre em banda X para atendimento às comunicações e projetos militares estratégicos de defesa nacional.
 
Escolhida para estar à frente do projeto, a Almeida França, que atua no mercado há quase 12 anos, conta detalhes do projeto. Confira a seguir, a entrevista com o Diretor Técnico da empresa, Marcos Pinheiro. 
 
DatacenterDynamics: Por que você acredita que a Almeida França foi escolhida para o projeto?
 
Marcos Pinheiro: Por se tratar de uma obra pública, a escolha foi feita a partir de um processo licitatório, no caso um RDC – Regime Diferencial de Contratações, onde num leilão presencial, o Consórcio SAT3D (Almeida França, Paulo Octávio e Projeman) apresentou o maior desconto sobre o preço de referência do edital.
 
É importante ressaltar que anterior a etapa do leilão houve uma etapa de pré-qualificação das empresas interessadas, na qual cinco empresas/consórcios foram habilitadas para a etapa seguinte - comercial
 
DCD: Como começou o trabalho realizado com a Telebras?
 
M. P.: A Almeida França começou a acompanhar o projeto mais de perto no DCD Brasil 2016, quando o projeto foi apresentado pela Telebras. Desde então, começamos a buscar informações dentro do “pouco” que se conseguia obter.
 
DCD: O COPE-P Brasília se posiciona como referência nacional e internacional pela complexidade e modernidade das suas instalações. Quais foram os maiores desafios?
 
M. P.: A complexidade dos sistemas instalados e a necessidade de integração entre eles, de forma a garantir automatização plena, talvez tenham sido os maiores desafios do projeto. Estamos falando de um projeto que busca o mais alto nível de certificação em data centers, a certificação TIER IV – “faultTolerant” – do Uptime Institute. Para se obter a certificação, a infraestrutura de missão crítica é exaustivamente testada pela entidade certificadora, a fim de garantir as respostas automáticas dos sistemas em caso de falha de um dispositivo, equipamento, etc, não permitindo que a operação do data center seja interrompida.
 
Outro fato que exigiu muita atenção, muita reunião com Telebras e terceiros, foi a necessidade de integração e compartilhamento de informação entre os cinco data centers construídos nessa primeira fase do projeto SGDC, licitados separadamente e, consequentemente, com diferentes consórcios vencedores. Exemplo: as bases de dados dos sistemas de controle de acesso dos gateways de Florianópolis, Campo Grande e Salvador rodam no COPE-P e COPE-S (RJ). Instalamos uma mesma plataforma de soluções de automação em todos os sites.
 
DCD: Quando a obra será concluída?
 
M. P.: A infraestrutura de missão crítica do COPE-P foi concluída e inaugurada em dezembro de 2018. A expectativa é de que todo o complexo seja concluído até o início de agosto, mês em que será iniciado o comissionamento e testes de todo os sistemas instalados. Em outubro deste ano, é esperada a vinda de representantes do Uptime Institute para a certificação Tier. E no início de novembro, o COPE-P entrará em operação assistida.
 
DCD: Qual a estrutura do data center?
 
M. P.: Entre os atributos da Infraestrutura do COPE-P - de Missão Crítica, Tier IV, destacamos:
 
- Duas entradas de energia independentes em 13,8kV
- Demanda de 3,3 MVA
- Circuitos de distribuição de energia e refrigeração  redundantes
- Composição de cada circuito (total 2 circuitos):
- 2 Trafos 2000kVA – 13,8kV/480V 
- 1 Trafo 500kVA – 480V/380V
- 3 GMG 2.500kVA
- 3 UPS 540kW
- 1 UPS CAG 410kW
- 3 Chillers 200TR, a ar, água gelada com duplo anel
- 1 Tanque Termoacumulação 120.000 litros
     
DCD: Quanto foi investido no projeto?
 
M. P.: O valor total do projeto COPE-P é de, aproximadamente, 170 milhões de reais.
 
DCD: Qual a avaliação que a Almeida França faz do trabalho realizado com a Telebras?
 
M. P.: Avalio como excelente a interação entre equipes. Desde o início dos trabalhos, todo o corpo técnico envolvido - não só o da Almeida França, mas também a Telebras, Tales (Satélite), Visiona (operadora do sistema) - buscou ir além da relação “cliente-contratado”, trabalhando como parceiros para o sucesso do projeto. A sinergia das equipes, que se uniram para fazerem o máximo, diminuiu bastante o risco de insucesso de um projeto como o COPE-P.
 
DCD: Além deste data center, que outros data centers a Almeida França já construiu?
 
M. P.: Data Center Banco Central do Brasil, Data Center SEBRAE – MG e o Centro de Operações Espaciais Secundário – COPE-S.
 
DCD: Há quanto tempo a Almeida França atua na construção de data center?
 
M. P.: Atuamos no mercado de construção de data centers há, aproximadamente, 12 anos. Com a experiência adquirida e alta capacidade técnica, temos certeza de que estamos aptos executar qualquer projeto de data center que nos for apresentado.
 
DCD: Como a Almeida França avalia o mercado brasileiro de data center hoje?
 
M. P.: Nossa empresa entende que o mercado brasileiro de data center se encontra em um cenário positivo e com grande potencial de expansão.
 
Apesar de ainda estar distante da capacidade de processamento de dados de países mais desenvolvidos, o Brasil vem se mostrando cada vez mais adepto ao mercado de Internet das Coisas (IoT), é um país de proporções continentais e que possui a quinta maior população do mundo. Com projetos como o COPE-P e COPE-S, que levarão conexão banda larga para os locais mais remotos do território brasileiro, o consumo de dados tende a aumentar exponencialmente.
Temos, também, a chegada de novas tecnologias como o 5G, que aumentam radicalmente o processamento de dados. Por isso, serão necessários investimentos por parte das operadoras de data centers, capazes de processar a alta demanda de dados que acompanhará utilização desses serviços.
 
Diante de uma população cada vez mais conectada, estamos muito confiantes no futuro do mercado de data center brasileiro.
 

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