Você não pode comoditizar o software de rede, afirma a Juniper Networks

Rami Rahim, CEO da Juniper Networks, revela ao jornalista Max Smolaks que quer vender licenças e não caixas

7 February 2019 escrito por Max Smolaks

Você não pode comoditizar o software de rede, afirma a Juniper Networks
Rami Rahim, CEO da Juniper Networks
"A diferenciação não está mais na caixa. A diferenciação está na oferta de soluções que permitem que nossos clientes se transformem, obtenham eficiência de custo e benefícios de agilidade da nuvem”, disse Rami Rahim, CEO da Juniper Networks, em entrevista à DCD.
 
Com mestrado em engenharia elétrica pela renomada universidade californiana de Stanford, Rahim ingressou na Juniper Networks em 1997 como especialista em design de ASIC, responsável pelos chips que alimentaram os primeiros produtos da empresa, que se tornou a principal rival da Cisco em redes de infraestrutura. Sete anos depois, ele assumiu o cargo de CEO, em um momento em que o panorama das redes passava por mudanças consideráveis.
 
Nos anos 90, o mercado de telecomunicações era dominado por um punhado de fornecedores de equipamentos e a tecnologia cara e própria era incorporada ao silício. Foi nesse ambiente que a Juniper desafiou a Cisco pela primeira vez e conseguiu conquistar uma participação de mercado respeitável. Mais recentemente, os avanços no design e fabricação de chips possibilitaram o fornecimento de funcionalidade de rede avançada, por meio de switches e roteadores genéricos, fabricados na Ásia a um custo muito mais baixo, o que significou que a inovação foi lentamente transformada em software.
 
Não é segredo que o ex-CEO da Juniper, Shaygan Kheradpir, foi contratado para cortar custos e melhorar o balanço da empresa para agradar os investidores, e deu conta do recado. Desse modo, Rahim pode se concentrar em aproveitar ao máximo as redes definidas por software (SDN).
 
Rahim conta que a Juniper virtualizou seus populares roteadores da série MX e separou seu sistema operacional de rede JunOS, lançado inicialmente em 1998.
 
"Fomos o primeiro fornecedor de rede estabelecido a oferecer um modelo de sistema operacional completamente desagregado em switches white box de terceiros, e aprendemos muito com implantação nos nossos primeiros clientes", conta ele.
 
"Clientes hoje, querem grandes níveis de flexibilidade: querem poder escolher os recursos de hardware e software necessários para seus casos de uso específicos. Além disso, querem mais visibilidade de rede, maior controle, mais capacidade de programação e um negócio com modelo mais granular, em outras palavras, querem pagar pelo que eles realmente usam. "
 
Nos últimos anos, a Juniper aumentou sua participação em várias iniciativas de código aberto. Alguns de seus switches foram compatíveis com o software do Open Compute Project (OCP) e a empresa liberou o código para o seu "meta-controlador" Contrail da SDN como fonte aberta; inicialmente conhecido como Open Contrail, o projeto foi renomeado para Tungsten Fabric e agora está no centro da nova organização de redes da Linux Foundation. Em 2018, a Juniper também se juntou à Open Networking Foundation, que conta com alguns dos maiores provedores de telecomunicações do mundo entre seus membros.
 
Para o CEO da Juniper, essa é uma extensão natural da estratégia da empresa: "Como um concorrente neste setor, sempre consideramos a abertura como fundamental para nosso sucesso. 
 
Até um tempo atrás, a Juniper era, em certo ponto, famosa por pagar aos engenheiros de software alguns dos maiores salários do Vale do Silício. Hoje, a empresa continua essa tradição, gastando mais de 80% do orçamento de P&D em software. O foco no software levou a Juniper ainda mais para o mercado de nuvem, onde o hardware foi comoditizado e o software reina supremo.
 
"A nuvem tem um significado muito específico para cada um dos nossos diferentes segmentos de clientes - ainda é a abordagem arquitetônica e de fornecimento de serviços que está impulsionando o crescimento e o dinamismo dos grandes provedores de nuvem", disse ele, acrescentando que o 5G, por si só, não vai justificar o investimento necessário para habilitá-lo. Isso exigirá novos serviços e, portanto, o 5G vai inaugurar novos serviços que, na minha opinião, farão com que as empresas de telecomunicações tenham mais sucesso do que no passado. E esses serviços serão todos nativos da nuvem.
 
"E por último, mas não menos importante, do ponto de vista empresarial, a nuvem é o que mais importa para todos; para cada um dos CIOs com quem falo tudo se resume a mover cargas de trabalho e aplicativos para um ambiente com várias nuvens e obter baixo custo e agilidade dos benefícios desta abordagem. A nuvem tem sido um tema central nos últimos dois anos e continuará na pauta do mercado  em 2019.”
 
Na Juniper, talvez a mudança mais séria ocorrida nos últimos anos, seja na sua base de clientes: a empresa originalmente se concentrava no mercado de telecomunicações, depois no setor empresarial. Hoje, ela conta com operadores de data center de hiperescala entre seus clientes mais valiosos.
 
"Entendemos muito bem o mercado de hiperescala, dependendo do trimestre, cerca de um quarto de nossa receita vem de provedores de nuvem; isso inclui também muitos provedores menores de nuvem e SaaS que operam no mundo todo", revela Rahim.
 
"Sabemos exatamente o que os clientes de hiperescala exigem, o que eles mais buscam é: desempenho, confiabilidade, flexibilidade, visibilidade e telemetria; e todas as tecnologias que desenvolvemos e introduzimos no mercado realmente atendem ao espaço de hiperescala", garante o CEO.
 
 

 

CONECTAR-SE COM DCD

ENTRAR


Esqueci a senha?

Criar conta MyDCD

Você precisa de profissionais qualificados?

regiões

region LATAM y España North America Europe Em Português Middle East Africa Asia Pacific

Whitepapers Ver Todos