Angola Cables coloca Fortaleza na rota de data centers internacionais

Capital cearense tem localização geográfica favorável, em relação às distâncias para outros pontos importantes do globo
 

16 November 2018 escrito por Tatiane Aquim

Angola Cables coloca Fortaleza na rota de data centers internacionais
Fabio José, gerente de produtos da Angola Cables
Polo de concentração de cabos submarinos, Fortaleza tem uma localização geográfica favorável, em relação às distâncias para outros pontos importantes do globo, fator este que tem ajudado a impulsionar a criação de um hub de Telecom na capital cearense, que apresenta grande potencial para atrair players e competidores dos mercados de TI e Telecom. Uma delas é a Angola Cables, que está investindo cerca de 300 milhões de dólares em projetos na capital do Ceará.
 
Entre os investimentos no Nordeste, está a construção de um data center, que terá aproximadamente 3000 metros quadrados de construção, com design Tier III. Também redes submarinas: o cabo Monet, que conecta Boca Raton - Flórida a Fortaleza e Santos, hoje 100% operacional; e outra rede submarina, o SACS, primeiro cabo a ser instalado no Atlântico Sul, que liga a África à América do Sul; também já operacional. A previsão é  que as iniciativas gerem cerca de 40 empregos diretos e 800 indiretos até 2030, segundo projeções da própria empresa.
 
Através dessas iniciativas, a empresa angolana tem ajudando a desenvolver um ambiente que atrai empresas de serviços digitais, que veem no data center, uma opção para obter menor latência, maior dinâmica de atualização de conteúdo e maior capacidade de tráfego de dados, uma vez que com a inauguração do data center, haverá suporte de armazenamento local.
 
Com exclusividade, Fabio José, gerente de produtos da Angola Cables, conversou com a DatacenterDynamics, e falou sobre as iniciativas da empresa de Telecom, que irá colocar Fortaleza na rota dos data centers internacionais, promovendo sinergias com estes. Confira:
 
DatacenterDynamics: Quando foi iniciada a obra do data center da Angola Cables, na Praia do Futuro?
 
Fabio José: O data center que estamos construindo em Fortaleza é um dos mais modernos do mundo. A obra começou em 2017 e tem previsão de encerramento para o fim deste ano, quando há a expectativa de entrar em operação. Ao longo deste período não tivemos grandes dificuldades. A obtenção de licenças levou um tempo além do previsto. Porém, o que mais atrapalhou foi a greve dos caminhoneiros, que fez com que tivéssemos que reduzir o ritmo da obra.
O investimento total feito pela Angola Cables no Brasil foi de US$ 300 milhões, incluindo o data center e os dois cabos submarinos de fibra óptica – Monet e SACS.
 
DCD: Qual é a estrutura do data center?
 
F. J.: O data center possui uma área útil de cerca de 9 mil metros quadrados na Praia do Futuro e terá, quando totalmente finalizado, cerca de 3 mil metros quadrados de área útil de TI. A infraestrutura terá certificação do tipo Tier III.
 
DCD: Que certificações a Angola Cables pretende solicitar para o data center?
 
F. J.: A Angola Cables tem a pretensão de estar alinhada com as seguintes organizações de standards operacionais, tais como:  ISO, TIA-942-A (Telecommunications Infrastructure Standard for Data Centre; ANSI/BICSI 002 – Data Center Design and Implementation Best Practice).
 
Pretendemos adotar o selo ISO 50001 – Energy Management Systems para otimização do uso de energia no nosso data center. Além disso, buscaremos alinhamento com o Code of Conduct Data Centre (Código de conduta para operadores de data center europeus), de forma a beneficiar as melhores práticas e princípios de eficiência operacional.
Além de todas as licenças exigidas pelos órgãos reguladores, o data center já conta com a certificação do tipo Tier III, como mencionado acima.
 
DCD: Já existe uma demanda para o data center? 
 
F. J.: Sim. Já temos algumas demandas fechadas, mas por questão de cláusulas de confidencialidade embutidas no contrato não podemos abrir esse tipo de informação. O que posso adiantar é que já estamos em contato com várias empresas que demonstraram interesse e estamos abertos a negociações.
 
DCD: Que características técnicas você destaca no projeto do data center?
 
F. J.: Ele será neutro, o que significa dizer que estará apto a receber não apenas os cabos da Angola Cables, mas qualquer outro cabo que chegar à Fortaleza. Todos os provedores de conteúdo do Nordeste poderão estar conectados, gerando assim melhor conectividade. Será sustentável: estamos estudando fontes de energia renovável para utilizar no data center, que contará com consumo de potência mais equilibrado e otimizado, o que ajudará a oferecer um custo menor. Além disso, será modular e flexível para atender aos vários tipos e tamanhos de demanda. Com isso, pode agregar capacidade sem que haja impacto no que estiver fazendo naquele momento.
 
DCD:  Na parte de cabeamento, o que você destaca?
 
F. J.: O data center possui múltiplos pontos de abordagem em fibra, entretanto a conectividade para além data center, será assegurada por múltiplos operadores da região que estão interligando suas redes ao nosso data center. O Angonap Fortaleza, por sua vez,  promove a neutralidade e diversidade de conectividade assegurando assim maior cobertura e acessibilidade.
 
DCD:  A Cloud Computing foi pensada?
 
F. J.: A alta densidade necessária para os serviços de cloud tipicamente se referem a capacidade de alimentar os equipamentos de cloud com energia, a capacidade de manter os mesmos operacionais preservando as condições operacionais (refrigeração entre outros). Para isso, adotamos um modelo de ampliação energética modular, capaz de crescer com as necesidades.
 
DCD: Qual foi a aposta da Angola Cables para o sistema de refrigeração? 
 
J. F.: Optamos pela utilização de Crac Units com capacidade de refrigerar com eficiência energética elevada.
Igualmente importante, é a extração de calor criada no data center. Os sistemas de monitoramento vão garantir que os equipamentos funcionem dentro dos intervalos operacionais recomendados, de realçar que apesar de partilharem de várias similaridades os data centers não são iguais. O que é importante é entender as necessidades dos nossos clientes, equilibrar com nossas operações e garantir que tenhamos sempre todas as condições para prestar serviços aos nossos clientes.
 
DCD: Que medidas sustentáveis foram escolhidas pela Angola Cables para implantar no data center?
 
J. F.: Cuidar do planeta é uma das missões que mais valorizamos dentro da Angola Cables. Todas as licenças ambientais foram obtidas antes mesmo do início da construção do data center. Além disso, estamos estudando a melhor forma de uso de energia limpa dentro do data center para mitigar qualquer impacto ambiental. Pretendemos no futuro adotar o DCMM (Green Grid Data Centre Maturity Model), que leva em consideração eficiência energética, sustentabilidade, eficiência e métricas, bem como monitoramento, com foco na melhoria contínua dos nossos serviços e processos operacionais.
 
 
 
 

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