Provedores locais superam estrangeiros e setor de hospedagem fechará 2018 com receita de 1,4 bilhão

Ato Declaratório Interpretativo - ADI nº 7/2014, deu novas regras ao mercado, que equipararam a concorrência entre provedores locais e estrangeiros

30 October 2018 escrito por Tatiane Aquim

Provedores locais superam estrangeiros e setor de hospedagem fechará 2018 com receita de 1,4 bilhão
Vicente Moura Neto, presidente da Abrahosting
Hoje, um dos mais desenvolvidos e competitivos do mundo, o mercado brasileiro de hospedagem, conta com inúmeros players de capital nacional, que ofertam as mais diversas vertentes tecnológicas do mercado de hospedagem. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Infraestrutura de Hospedagem na Internet (Abrahosting), o mercado brasileiro cresce a uma taxa anual, que gira em torno de 10% e em 2017, alcançou receita total de R$ 1,4 bilhões. Consumidores podem contratar serviços de ponta, com armazenamento dos dados local, sem precisar recorrer à empresas estrangeiras.
 
Em entrevista, o presidente da Abrahosting, entidade criada em 2012, com os 10 maiores provedores brasileiros de hospedagem; hoje com cerca de 60 associados, que tem como meta defender  os interesses de seus associados, no que se refere à segurança jurídica, além de reivindicar políticas públicas de proteção à justa concorrência. Leia, a entrevista, a seguir.
 
DCD: Como a Abrahosting avalia os últimos 10 anos do mercado de hospedagem no Brasil?
 
V.N.: Foi um período transformador, onde ocorreu uma grande profissionalização de todo o mercado. Apesar de ainda ser muito pulverizado, teve início um movimento de consolidação, que proporciona às empresas a possibilidade de investimentos em tecnologia e inovação para fazer frente às transformações da indústria mundial de hosting. Surgiram também nichos dentro do mercado de hospedagem, com algumas empresas focando no varejo (hospedagem de sites comum), outras em cloud computing, infraestrutura, mercado enterprise, etc., ao contrário do que era no início, onde todo mundo fazia exatamente as mesmas coisas.
 
Hoje, a taxas anual gira em torno de 10% (foram 9,5% em 2017; a expectativa é superar esta taxa em 2018. As empresas associadas da Abrahosting respondem por 65% do tráfego na internet brasileira e tiveram faturamento de R$ 1,4 bilhão em 2017. No total hospedamos cerca de 2,6 milhões de sites e empregamos cerca de 3,5 mil profissionais.
 
 
DCD: Quais são as principais empresas do setor de hospedagem no Brasil?
 
V. N.: As empresas líderes do mercado de varejo são: Locaweb, UOL Host e KingHost. Temos players importantes no mercado de Cloud, IaaS e PaaS, como CentralServer, EVEO, Mandic e Webplus. E lógico, temos a presença local de todas as principais Public Clouds, como a AWS, Azure e Google Cloud.
 
DCD: Em relação a concorrência internacional, provedores locais têm conseguido competir e ganhar espaço no mercado nacional?
 
V.N.: Sim. Ao contrário de outros mercados, onde as empresas nacionais foram absorvidas quase que na totalidade por grandes grupos internacionais, o Brasil possui players muito fortes, que conhecem profundamente a necessidade e o comportamento de seus consumidores, conseguindo entregar os produtos tecnológicos que estes necessitam, sem que os mesmos tenham que utilizar serviços de empresas de fora do país. Outro ponto a nosso favor, é a recente aprovação da Lei Geral de Proteção de Dados, que nos coloca, do ponto de vista jurídico, em pé de igualdade com a Europa e demais países desenvolvidos, onde  já vigoram legislações semelhantes.
 
DCD: Quais são as principais ofertas dos provedores nacionais e em que estas diferem das internacionais?
 
V.N.: Como hoje existem nichos dentro do mercado, uma gama maior de ofertas está disponível para os clientes, mas podemos dizer que as principais são hospedagem de sites (shared hosting), cloud server/VPS, infraestrutura na nuvem (IaaS) e servidores dedicados. Os grandes diferenciais em relação as empresas internacionais são a cobrança em moeda local, que não flutua por causa do dólar, a economia com impostos de importação de serviço (que existe na contratação de provedores estrangeiros) e o suporte técnico em português. Entender o mercado local, seus costumes e cultura também faz uma diferença muito grande para as empresas nacionais, tendo o atendimento ao cliente como um grande diferencial.
 
DCD: Segurança tem sido o foco de investimento por parte dos provedores?
 
V.N.: O Brasil sempre foi um dos principais alvos de ataques cibernéticos em todo mundo, e isto deve-se principalmente à nossa base imensa de internautas e a profunda utilização de internet pela população. Naturalmente, por ser um grande alvo, é necessário também realizar investimentos constantes em segurança para proteger nossos usuários. Paralelamente, possuímos uma comunidade de especialistas em segurança de altíssimo nível, e este ecossistema faz com que o país esteja na vanguarda das tecnologias de proteção. Em 2017 investimos R$ 140 milhões em tecnologia, sendo que a maior parte se destinou a gerenciamento e segurança das operações.
 
DCD: Instituído pela Receita Federal, o Ato Declaratório Interpretativo - ADI nº 7/2014, deu novas regras ao mercado de data center e cloud. Quais são reflexos de tal medida, segundo a Abrahosting, nos últimos quatro anos?
 
V. N.: O ADI 7/2014 define os tributos incidentes sobre valores pagos em moeda estrangeira para os serviços de cloud e data center. O ato torna mais justa a concorrência entre provedores locais e estrangeiros, visto que as empresas nacionais arcam com uma quantidade de impostos muito maior do que as estrangeiras para gerar empregos e prestar serviços. Através do ADI, que obriga o cliente a recolher impostos como IRRF, Cide-Royalties e PIS/Cofins sobre os pagamentos a empresas domiciliadas no exterior, os preços finais ficam equiparados. Nesse ambiente de concorrência mais justa, a competição passar a ser por qualidade, tecnologia e atendimento.
 
 
 

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