TIC de Governo: a realidade da Transformação Digital

Cultura digital, que floresceu primeiro em polos como o Vale do Silício, vem entrando na pauta da TIC de Governo

9 July 2018 escrito por DatacenterDynamics

Se, por um lado, nas empresas privadas a Transformação Digital se converge para a jornada do cliente, nas esferas do governo ela está voltada para a relação com o cidadão. Entretanto, esse nível de desapego com as estruturas arcaicas e a mentalidade analógica requer não apenas investimentos em tecnologia (Big Data, Nuvem, mobilidade e novos modelos de negócios), mas em pessoas: na Mentalidade Digital. E quando se trata de Governo? Como essa cultura digital, absolutamente nova, encontra eco nos servidores, estruturas e recursos públicos?
 
Quem entra desavisado na Sala de Inovação da Procergs (Companhia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul), talvez não se dê conta de que aquele grupo de desenvolvedores, que passam boa parte do tempo criando APPs por métodos ágeis, sejam servidores antigos da casa. Isso porque a Procergs percebeu o abismo que se formava entre as demandas digitais dos cidadãos e a realidade analógica da TIC pública – e resolveu agir, começando pela parte mais sensível da cadeia digital: o desenvolvedor.
 
“O cidadão, na sua maioria, é um cidadão digital, então isso impõe que o governo também seja”, explica Antônio Ramos, presidente da Procergs.
 
Outro caso do Rio Grande do Sul, é o #Inovação, um programa semanal de rádio que repercute em 400 estações no interior do Estado. Ligado à Secretaria de Comunicação do Governo, tem a ideia de discutir sobre as experiências de especialistas no assunto. “É um impacto que caminha para um governo digital”, comenta o presidente da Procergs.
 
No outro extremo do Brasil, no Amapá, o Prodap (Centro de Gestão da Tecnologia da Informação), chamou as startups locais para pensarem junto com o órgão público. Assim, o Prodap passou a desenvolver soluções digitais a quatro mãos e, de quebra, transformar cidadãos em empresários, o que fomentou a economia local.
 
“Fizemos um diagnóstico para entender qual era o real trabalho do Prodap. Foi um processo de mudança cultural e organizacional do próprio órgão e do Governo”, conta o diretor-presidente, Lutiano Silva.
 
Básico e avançado 
 
Exemplos como o gaúcho e o amapaense despontam em órgãos públicos das três esferas, mas ainda há muito o que se construir dentro de uma TIC de dimensões continentais: enquanto alguns órgãos já conseguem pensar a Transformação Digital, outros estão na fase de investir em soluções de base, como conectividade e redes de fibra óptica.
 
Nesse sentido, a ABEP (Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Tecnologia da Informação e Comunicação) inova ao congregar todas as empresas estaduais de TIC do Brasil, com suas realidades tão diferentes, para pensar juntas os rumos da tecnologia pública. E tem dado certo: casos como os da Procergs, os do Prodap e de outros Estados são discutidos nas reuniões nacionais, e as dificuldades de todos são compartilhadas.
 
Números da Transformação Digital no Brasil
 
Segundo o estudo anual "Global Connectivity Index" (GCI), divulgado pela Huawei, o Brasil é apenas o 44º no ranking de Transformação Digital. Levando em conta conectividade e economia digital, o Brasil está à frente de países como Argentina, Colômbia, Uruguai e México, mas fica atrás de outros com menos expressão, como Malásia e Kuwait.
 
O estudo aponta as melhorias do Brasil nos últimos dois anos em relação ao 4G e aos investimentos em tecnologias como Big Data e Nuvem. Mas a falta de infraestrutura para telecomunicações é apontada como o principal fator que impede um desenvolvimento maior da tecnologia no país.
 
Para focar nas ações em prol de um salto qualitativo no Brasil, em março de 2018 foi publicado o documento “Estratégia Brasileira para a Transformação Digital”, ou simplesmente E-Digital.
 
“A E-Digital oferece um amplo diagnóstico dos desafios a serem enfrentados, uma visão de futuro, um conjunto de ações estratégicas que nos aproximam dessa visão, e indicadores para monitorarmos o progresso no atingimento de nossos objetivos”, é o que consta da apresentação do documento, que conta com 100 ações em Transformação Digital e ferramentas que habilitem o processo.
 
Que tal aprendermos com Singapura?
 
A cidade-Estado localizada na ponta sul da Península da Malásia pode nos ensinar os passos a serem dados para mudanças de sucesso. A região é o quarto centro financeiro do mundo, terceiro maior em refino de petróleo, e seu porto é o quinto mais movimentado do mundo. Singapura é o lar do maior número de famílias milionárias em dólares per capita e a segunda no ranking de Transformação Digital.
 
Entretanto, as medidas adotadas que a tornaram referência em governo digital não exige números tão expressivos quanto os apresentados por Singapura. O local adotou algumas medidas simples, mas que se unem e dão força às mudanças.
 
Foi necessário o engajamento de 3 principais ações do governo: o Ministério de Finanças (MoF); o IDA (Infocomm Development Authority), uma espécie de autoridade central de tecnologia do governo; e os CIOs (Chief Information Officers), os principais nomes das agências de governo.
 
Ao interligar essas três pontas, Singapura apostou na colaboração e, sobretudo, na estabilidade política, fator extremamente importante para que os projetos em governo digital se mantenham ao longo dos ciclos das gestões. Em um projeto tão inovador, foi necessário assumir riscos, muitas vezes em ações nunca antes testadas, como no caso da biblioteca de Singapura, que usou uma tecnologia de identificação por rádio frequência, sem ser testada previamente.
 
O resultado veio na combinação de política, economia e paciência, pois a cidade-Estado se desenvolveu com base no aprendizado em cada etapa.
 
Singapura começou a se transformar em 1980, visando à eficiência e automação dos serviços públicos e em infraestrutura básica de TI. Nos anos 2000, já estava em processo de entrega dos serviços online e integração entre eles. Em 2006, a integração foi entre todas as camadas do Governo e sua tecnologia (dados, processos e sistemas): foram 300 serviços mobile entregues. E, em 2011, deu início a uma ação entre governo e iniciativa privada, incentivando a competitividade econômica, focados na colaboração.
 
Em estudo apresentado em 2013 pelo seu Ministério de Finanças, a satisfação da população com o governo digital chegou aos 94%, vinda de iniciativas simples, como um único portal para o cidadão acessar os mais variados serviços.
São 38 anos de investimentos, não só financeiro, mas de ideias e inovação, que tornaram Singapura uma referência em governo e Transformação Digital.
 
 

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