Depois da Cloud, agora vem a Fog? É sério?

Sim, a clareza da Internet das Coisas dependerá de uma neblina, da Fog Computing
 

20 July 2018 escrito por Laércio Albuquerque

Depois da Cloud, agora vem a Fog? É sério?
Laércio Albuquerque, presidente da Cisco Brasil
É inegável que estamos passando por um momento histórico da humanidade. São tempos empolgantes! Cada vez mais a tecnologia digital está presente na rotina das pessoas, se tornando um elemento quase invisível nas tarefas do nosso cotidiano.
 
Ando pensando bastante a respeito disso e alguns temas específicos têm tomado corpo, em especial nesta nova era da Internet da Coisas. Hoje, as TVs e os carros já estão conectados. Gradativamente as geladeiras, os fogões, bicicletas, sapatos, carteiras; as embalagens de produtos nas prateleiras do supermercado, as colheitadeiras nas fazendas e as máquinas que produzem todas essas coisas já estão se conectando à internet e gerando uma miríade de dados para serem usados em tomadas de decisão.
 
Aqui vai uma reflexão: para que todas essas coisas funcionem de forma minimamente adequada, será preciso uma infraestrutura monstruosa e robusta, tanto para permitir a transmissão dos dados gerados por todas estas coisas quanto para processar e transformar estes dados em informações para os usuários, certo?
 
A resposta é “talvez”. E se eu disser que não será necessariamente imprescindível levar todos esses hexabytes de dados via rede de volta para a nuvem, ou data center da companhia, para que sejam analisados? Há uma tendência que tem conquistado o palco de muitos debates e que acredito fará toda a diferença na evolução da Internet das Coisas. Trata-se do conceito de Fog Computing, que poderia ser traduzido como “computação em neblina”, e que também é conhecido como Edge Computing. 
 
Portanto, sim, é sério, a clareza da Internet das Coisas dependerá de uma neblina, da Fog Computing.
A lógica é que, se existe uma grande Cloud que irá processar volumes gigantescos de dados, podem também existir gotículas de processamento em cada uma das coisas conectadas, permitindo que os dados que precisam ser analisados mais rapidamente sejam processados na ponta, sem a eventual necessidade de serem transmitidos na sua totalidade para essa grande nuvem, otimizando em muito os processos. Desta forma, essa infinidade de gotículas espalhadas em diversas “coisas” criariam algo semelhante a uma neblina.  
 
Tal abordagem permite que os dados mais sensíveis sejam analisados na borda da rede, próximos de onde as coisas acontecem, em vez de enviar grandes quantidades de dados IoT para a nuvem. Ao mesmo tempo, é uma forma de mandar para cloud ou data center privado apenas informações já selecionadas e que têm valor em longo prazo, otimizando todo o complexo de transmissão e armazenamento.
 
Em indústrias como manufatura, oil & gas, saúde, serviços públicos, transporte e mineração, que envolvem operações de missão crítica, o tempo de resposta para tomada de decisão impacta diretamente a produção, a qualidade e a segurança, muitas vezes envolvendo vidas! Como exemplo, podemos mencionar o processamento em um chão de fábrica, um sensor de temperatura e vibração de uma das máquinas que envia leituras associadas a uma falha iminente, permitindo que um técnico programe a manutenção do equipamento antes que ele pare de funcionar ou cause um dano irreparável. Ou uma câmera com poder de processamento das imagens nela mesma, ou uma base de perfuração de petróleo que tem os dados de milhares de sensores sendo coletados, analisados e processados na própria base, ou um médico que tem milissegundos para tomar uma decisão durante uma cirurgia. Essa é a agilidade e velocidade que a Internet das Coisas vai exigir, e a Fog ou Edge Computing vai permitir isso.
 
Capitalizar IoT requer um novo tipo de infraestrutura, com plataformas de conectividade muito mais elásticas, robustas, inteligentes e automatizadas, e onde o Cybersecurity já faça parte da planta inicial de toda esta arquitetura. Estamos falando de mais de 50 bilhões de dispositivos conectados até 2020. Os modelos de nuvem de hoje não estão preparados para tal volume, variedade e velocidade de dados que a Internet das Coisas pode gerar. Bilhões de dispositivos anteriormente não conectados já estão gerando mais de dois hexabytes de dados por dia.
 
Não canso de me surpreender quando penso que essas 50 bilhões de "coisas" estarão conectadas à internet até 2020, comparado a uma população mundial de 7 Bilhões de habitantes. E acrescenta-se o fato que estas coisas possuem uma capacidade de gerar dados muito maior que as pessoas. Pois, enquanto nós seres humanos precisamos parar para dormir, nos alimentar, orar, e fazer outras coisas, uma câmera ou um sensor foram projetados para gerar dados 24 horas por dia, 7 dias na semana.
 
Mover todos os dados gerados por essas coisas para a nuvem, para análise, poderia exigir inviáveis e complexas infraestruturas de rede e de banda. O processamento de dados mais próximo de onde é gerado, nessa neblina, é necessário e ajuda a resolver os desafios de transformar o volume, a variedade e a velocidade dos dados, permitindo decisões mais profundas e mais rápidas, levando a uma maior agilidade de negócios, níveis de serviço mais elevados e segurança aprimorada. 
 
Essa é a nova realidade. Bem-vindos a Fog Computing! Liguem os para-brisas e boa viagem!
 
*Laércio Albuquerque é presidente da Cisco Brasil.
 
 
 

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