Maior supercomputador da América Latina espera propostas de uso de empresas privadas

Infraestrutura de computação de alto desempenho está disponível para companhias brasileiras
 

22 May 2018 escrito por Tatiane Aquim

O Santos Dumont, maior supercomputador da América Latina; máquina que conta com inigualável capacidade de processamento, armazenamento e transferência de dados, está à disposição de empresas privadas, que tenham interesse na utilização de sua capacidade petaflópica para o desenvolvimento do seu modelo de pesquisa.
 
Adquirido junto a empresa francesa ATOS/BULL, o Santos Dumont, que entrou em operação em 2015, integra o mais recente ranking da TOP 500, que lista os supercomputadores mais potentes do mundo, está localizado na sede do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro. 
 
Instituto de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), o LNCC foi criado em 1980, com o intuito de desenvolver modelos matemáticos para auxiliar o desenvolvimento científico do país e atuar como um centro de apoio, disponibilizando sua infraestrutura computacional para outros centros de pesquisa, que na época não tinham uma infraestrutura satisfatória de processamento computacional. 
 
Em conversa com a DCD, Wagner Vieira, coordenador do LNCC, conta que ao longo dos anos, o laboratório foi progredindo, saiu de um prédio de 400 m² no Rio de Janeiro e hoje funciona em um prédio de 11 mil m², em Petrópolis (RJ). Possui um curso de pós-graduação, mestrado e doutorado em modelagem computacional, além de uma grande quantidade de acordo com centros de estudos para desenvolvimento conjunto de pesquisa. Leia, a seguir, a entrevista. 
 
DCD: Qual foi a razão principal que levou à aquisição do supercomputador?
 
Wagner Vieira: Foi percebido que havia uma demanda reprimida para o uso de supercomputador no país e algumas pesquisas que vinham sendo desenvolvidas utilizavam equipamentos dos Estados Unidos e da Europa, já que a infraestrutura do país não supria essa necessidade. Então o Governo Federal atendeu um pleito nosso para aquisição de um supercomputador.
 
DCD: Com a aquisição do supercomputador o Brasil sai na frente na América Latina?
 
W.V.: A aquisição desse supercomputador colocou o Brasil em um patamar que outros países da América Latina não estão. Hoje temos uma capacidade petaflópica de processamento, acordo com outras entidades de supercomputação fora do país, como universidades norte-americanas e centros de pesquisa da Europa. O Brasil está num patamar, onde estão os 500 computadores do mundo. Isso coloca o país num viés de crescimento muito grande. 
 
Acredito que cada vez mais investimento em computação de alto desempenho vai fazer com que a pesquisa melhore e inovações venham. Tudo isso capitaneado por uma computação de alto desempenho.
 
DCD: Qual foi o valor investido no supercomputador?
 
W.V.: O supercomputador custou R$ 45 milhões e o LNCC gastou mais R$ 14 milhões com infraestrutura. Esse foi o investimento total para colocar o Santos Dumont no ar.
 
DCD: Há dois anos, foi informado que estava prevista a instalação de um centro de pesquisas de computação de alto desempenho em parceria com a Atos. Isso foi feito? Em que estágio está o projeto?
 
W.V.: O centro de pesquisa da Atos já está instalado em Petrópolis (RJ) e trabalha em conjunto com os pesquisadores do LNCC em novas metodologias computacionais para computação de alto desempenho, atua com novos parceiros, como a Coppe (UFRJ). O centro já está em pleno funcionamento.
 
DCD: A aquisição foi realizada há dois anos. Quais foram os ganhos?
 
W.V.: O supercomputador está em uso há um 1 e 8 meses  e por isso, os ganhos ainda estão sendo avaliados. Os resultados dos primeiros projetos estão sendo publicados pouco a pouco. Mas acredito que os ganhos vão ser enormes, não só da parte de pesquisa e desenvolvimento dos institutos de pesquisa como para a iniciativa privada também.
 
DCD: Qual é o passo a passo para utilizar a capacidade do supercomputador?
 
W.V.: Para a utilização do supercomputador é necessário a apresentação de um projeto de pesquisa para um comitê, que julga se o projeto de pesquisa precisa mesmo de uma capacidade computacional elevada. 
 
DCD: Quantas empresas vêm utilizando o supercomputador? 
 
W.V.: No momento temos apenas uma única empresa utilizando o supercomputador. Acabamos de fechar um acordo de uso com a Petrobras. Ela é a primeira empresa privada a utilizar o supercomputador para desenvolvimento do seu modelo de pesquisa. Existe uma demanda de empresas privadas no Brasil para a utilização de computador de alto desempenho. O supercomputador está à disposição da iniciativa privada para uso de seus sistemas. Será um prazer receber propostas do setor privado.
 
DCD: O supercomputador é hoje o "nó principal" do Sistema Nacional de Processamento de Alto Desempenho (Sinapad)? 
 
W.V.: O supercomputador do Sinapad atua como nó principal da rede por ser a máquina mais poderosa a disposição. Os centros de supercomputação do país que formam o Sinapad estão com equipamentos ultrapassados, por falta de recursos para a compra de novos computadores. Hoje está sendo feito um esforço dos centros com o Governo Federal para que se tenha recurso para dotar alguns centros com máquina de capacidade elevada para que possamos pegar as demandas dos pesquisadores que não têm necessidade do Santos Dumont. É necessário ter outras máquinas disponíveis com menos capacidade, mas com nível suficiente para alavancar o uso até chegar ao Santos Dumont. Nossa intenção é fazer um sistema em camada ¨tiers¨, em que o Santos Dumont seja o tier 0 e tenhamos outras máquinas como outros tiers. Por exemplo, o supercomputador Lobo Carneiro da Coppe (UFRJ), que é uma máquina nova com grande capacidade de processamento. A ideia é adotar alguns centros com máquinas de grandes capacidades, com acesso fácil a esses equipamentos para que possa ser feito o desenvolvimento de pesquisas. 
 
*Batizado com o nome do aviador e inventor brasileiro Santos Dumont, o supercomputador está instalado em dois contêineres unificados, sob uma cobertura que representa o chapéu de Santos Dumont. No interior da instalação, escrito sobre uma parede, pode ser lida a famosa frase do aviador brasileiro: “o homem há de voar”. 
Por ser petaflópico, ou seja, por atingir a velocidade de até 1015 operações de ponto flutuante por segundo, equivalente a operações de somas e subtrações, simbolicamente o supercomputador “voa”.
 

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