Huawei ligará Brasil e Camarões via cabo submarino

Cabo saíra de Fortaleza e chegará em Kribi; iniciativa conta com a operadora camaronesa Camtel e China Unicom
 

14 May 2018 escrito por Tatiane Aquim

Huawei ligará Brasil e Camarões via cabo submarino
Navio sendo carregado com bobinas de fibra óptica submarina, da fábrica de cabos da Nexans, em Rognan (Noruega)
De acordo com dados da TeleGeography, o Brasil representa mais de 40% da largura de banda internacional de 47Tbit/s da América Latina. Hoje, o país pode ser considerado um hub de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) da região. A previsão é que até o término de 2019, o Brasil tenha 16 cabos submarinos em operação, dobrando a capacidade de tráfego existente hoje. Atualmente, em operação no Brasil estão os cabos: Sam-1, South American Crossing (SAC), Globenet, AMX, Seabras-1, Monet, Junior, Tannat, Americas-2, Atlantis-2.
 
Atentá às demandas do mercado, a Huawei Marine Networks, subsidiária dedicada à construção de cabos submarinos da gigante Huawei, lidera um projeto subaquático, que ligará Brasil e Camarões. O cabo saíra de Fortaleza, e chegará até Kribi, cidade que fica na região sul do país africano. De acordo com Nicolas Driesen, diretor de marketing e soluções em rede fixa da Huawei, a previsão é que as operações do cabo comecem em agosto deste ano.
Em entrevista exclusiva, o porta-voz da Huawei revela detalhes da construção do South American Inter Link (SAIL). Leia, a seguir.
 
DatacenterDynamics: Como surgiu a proposta do projeto do cabo submarino?
 
N.D.: Como uma operadora de telecomunicações do governo, a Camtel assumiu o papel de aumentar a infraestrutura para dar suporte ao plano “Digital 2020 Strategy” do país, que posicionou Camarões como um hub de novas tecnologias de informação e comunicação na África Ocidental. O projeto veio com a rede nacional de banda larga de Camarões, que definitivamente impulsionaria as demandas internacionais de capacidade. Para resolver essa séria escassez de banda internacional e alcançar seus objetivos, a Camtel investiu em dois cabos submarinos para evitar bottlenecks e ganhar redundância geográfica para garantir a estabilidade de rede da nação.
 
Uma outra razão para a escolha do Brasil como landing point foi a entrada da China Unicorn Global (CUG) nesse novo mercado. A CUG é uma operadora de telecomunicações que pode administrar e operar experiências para esse sistema.
 
DCD: Qual é a capacidade de extensão do cabo?
 
N. D.: Esse sistema liga Camarões e Brasil através do sul do Atlântico, o que revela a origem do nome SAIL – South Atlantic Inter Link. Desenvolvido inicialmente com a capacidade de 32/Tbit/s (80chs x 100 Gbit/s x 4 fp), o SAIL vai ligar capacidade de 100G no primeiro dia. Simulações recentes demonstram que ela pode ser adaptada para tecnologia 200G regularmente, o que dará suporte às capacidades adequadas no future.
Além disso, existem duas unidades de ramificação reservadas para extensões futuras.
 
DCD: Qual é o principal benefício em ter uma conexão direta Brasil - Camarões?
 
N.D.: Conectividade de baixa latência será entregue não apenas para Camarões e para o Brasil, mas também para países vizinhos. Com diversos outros sistemas de cabeamento anunciados para conectar os dois continentes, a tendência é que capacidade entre os locais aumente exponencialmente.
 
DCD: Como vem sendo feito o trabalho em parceria com a Nexans?
 
N.D.: A Nexans é a subcontratada da Huawei Marine em termos de cabeamento. Nesse caso, a Huawei Marine integrou as plantas aquáticas, com repetidores e equalizadores nos cabos fabricados pela Nexans na Noruega e carregando os cabos para instalação marinha em seu depósito. Normalmente, a Huawei Marine levaria os fornecedores de cabos de longo prazo como parceiros e proporia o cabo com base na preferência e disponibilidade do cliente.
 
DCD: O crescimento da implantação de data center em Fortaleza influenciou na capacidade do cabo?
 
N.D.: Sim. O data center como o principal recurso de banda-larga internacional influencia significativamente a demanda de largura de banda. O sistema SAIL está disposto a apoiar a conectividade dos data centers entre os dois continentes ou fornecer conexões de backup para melhorar a estabilidade.
 
DCD: O Brasil está vivendo um momento de aquecimento do mercado de cabo submarino. Este momento vem impactando positivamente os negócios da Huawei?
 
N.D.: Ficamos sabendo que o Brasil e a América do Sul com um todo estavam crescendo na implantação de cabos submarinos, quando a Huawei Marine Networks ajudou nossos clientes a completar o estudo preliminar da SAIL. Acreditamos que mais cabos submarinos fornecerão mais capacidade e conectividade e trarão benefícios para a economia regional. Estamos orgulhosos de estarmos envolvidos neste grande projeto e dispostos a ajudar mais e mais parceiros de negócios a melhorar sua conectividade de cabos submarinos.
A visão da Huawei Marine é "conectar o mundo, um oceano de cada vez". Esta é uma estratégia de longo prazo para levar nossos negócios a progredir de forma sensata.
 
 
 

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