Huawei quer se tornar principal fornecedor de Computação em Nuvem do governo brasileiro

Empresa conta com o fato de dispor de uma infraestrutura local, desenvolvida em parceria com a Vivo

27 October 2017 escrito por Tatiane Aquim

Fundada em 1987 em Shenzhen - China, a Huawei foi pioneira dentre as empresas chinesas no processo de expansão de suas operações para o exterior, sendo o Brasil um dos primeiros países onde estabeleceu um escritório fora da China, em 1999. A operação brasileira da Huawei é atualmente uma das líderes do mercado nacional de banda larga fixa e móvel, por meio das parcerias estabelecidas com as principais operadoras de telecomunicações.
 
No país, a Huawei possui cerca de 1500 colaboradores em cinco escritórios regionais nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e Recife, além de um centro de distribuição em Sorocaba (SP) e um Centro de Treinamento em São Paulo. Desde 2008, a Huawei tem linhas de produtos “Made in Brazil”.
 
Juntamente com o ecossistema local de TIC, a Huawei cria novas tecnologias: computação em nuvem, Internet das Coisas, Cidades Inteligentes e 5G. Com 70 mil sites wireless implementados, a empresa atende hoje a 2/3 da população brasileira. Mais da metade do tráfego de internet móvel do país passa pela tecnologia Huawei.
A Huawei também colabora com universidades brasileiras como a Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (UNESP); é parceira da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Instituto Federal da Paraíba (IFPB) e Universidade de Brasília (UnB).
 
Apostando no potencial do país há mais de 15 anos, a Huawei quer agora se tornar o principal fornecedor de Computação em Nuvem do governo brasileiro. Para isso, vem apresentando diferentes inovações aos 22 ministérios, nos últimos meses. Levantando a bandeira de redução de custos, a Huawei pretende romper barreiras como o fator segurança e anunciar o fechamento de novos contratos em breve.
 
A empresa conta com a experiência adquirida em projetos concretizados na China, onde presta uma série de serviços ao governo local a partir de sua própria nuvem pública; a Huawei aposta também no fato de dispor de uma infraestrutura local, desenvolvida em parceria com a Vivo para se estabelecer como principal provedor de Computação em Nuvem do governo brasileiro.
Em entrevista exclusiva, Liu Wei, vice-presidente de Relações Governamentais da Huawei Brasil, conta como a empresa vem traçando esta iniciativa.
 
 
DatacenterDynamics: Qual é o potencial do mercado brasileiro em relação a nuvem?
 
Liu Wei: O mercado brasileiro tem um potencial muito grande. De acordo com a IDC, apenas 15% das empresas brasileiras possuem 75% ou mais aplicações na nuvem. Na Huawei, acreditamos que 85% das aplicações empresariais estarão na nuvem até 2025, então ainda há um mercado gigantesco a ser explorado no Brasil.
 
DCD: Qual é a estratégia da Huawei para se tornar o principal fornecedor de Computação em Nuvem do governo brasileiro?
 
L.W.: Em setembro de 2017, a Huawei realizou um grande evento em Xangai chamado Huawei Connect cujo tema foi “Grow with the Cloud”. Nossa mensagem foi muito clara: a nuvem é o caminho do crescimento para todo tipo de empresa, pública ou privada. Na abertura do Huawei Connect, nosso CEO rotativo Guo Ping ressaltou os investimentos da Huawei na nuvem e compartilhou uma meta da empresa: construir uma das  cinco maiores nuvens do mundo.
 
Para concretizar essa projeção, a Huawei pretende construir uma rede de nuvens globais com parceiros no mundo todo. Na Europa, a Huawei possui parcerias em nuvem pública com a Telefónica na Espanha, Orange na França e Deutsche Telekom na Alemanha; no Brasil e em demais países da América Latina a parceira é a Vivo, do Grupo Telefónica.  A Huawei entende que as operadoras estão muito bem posicionadas para o mercado de nuvem, pois podem ofertar “conectividade + nuvem”, ou seja, a solução de computação pode ser entregue já com o link de acesso e transmissão, o que permite ao cliente uma gerência mais efetiva de toda a infraestrutura.
 
Este DNA pode ser percebido no Brasil, onde a Huawei e a Vivo oferecem serviços que fazem parte da parceria global entre as duas empresas. Os serviços estão divididos em Open Cloud e Cloud Server. O primeiro é um serviço de nuvem pública baseado na tecnologia OpenStack — plataforma de código aberto para hospedagem e gerenciamento de serviços de nuvem —, que é hospedado em data centers da Telefónica no Brasil, Argentina, Chile, Estados Unidos, México e Peru. A solução oferece serviços que vão desde computação, armazenamento, redes e bancos de dados para serviços analíticos, segurança e desenvolvimento de aplicações mais avançadas. 
 
 
DCD: A intenção da Huawei é se tornar o principal fornecedor de nuvem do governo brasileiro, a concorrência tem sido grande?
 
L.W.: Estamos vivenciando um dos primeiros passos do governo brasileiro rumo à nuvem e, pelo potencial, muitas empresas têm procurado se posicionar para ganhar sua fatia de mercado. A Huawei vem trabalhando com seus parceiros para oferecer uma solução de nuvem pública robusta e escalável, com toda a segurança, suporte local e cobrança em reais. Estamos confiantes na nossa oferta e esperamos ter novos clientes de governo em breve.
 
DCD: Qual é o papel da Computação em Nuvem na digitalização dos processos?
 
L.W.: Assim como qualquer empresa privada, o setor público precisa lidar com uma pressão muito grande de aumento de eficiência, melhoria na gestão e redução de custos. Ou seja, todos precisam fazer mais com menos. Na visão da Huawei, a nuvem é o principal catalisador tecnológico que propicia todos esses benefícios. À medida que cada órgão público construa seu próprio data center, investimentos serão duplicados, as informações armazenadas em silos e os sistemas não irão conversar. É preciso mais inteligência, segurança e colaboração entre os sistemas de governo para atender melhor o cidadão.
 
DCD: Como a empresa pretende convencer o governo em relação à questão segurança?
 
L.W.: A fase de preocupação com a segurança já passou. Hoje existe um consenso que a nuvem é o caminho certo, o que está sendo definido como será feito. Temos visto ao redor do mundo os governos adotando nuvem híbrida, mantendo alguns dados sensíveis em seus data centers, com adoção da nuvem pública para diversas aplicações. No Brasil, esse movimento não deve ser diferente.
 
DCD: Quais são as alianças da Huawei para conquistar o setor público brasileiro?
 
L.W.: A Huawei possui operações no Brasil há mais de 18 anos. Neste período, criamos fortes alianças com as principais operadoras de telecomunicações, temos parceiros de engenharia e revendas espalhadas por todo o país, bem como parceiros e alianças de software, soluções e integradores. A Huawei aposta nos padrões abertos de mercado, como o OpenStack, o que atrai a atenção de clientes e parceiros. Empresas privadas e públicas não podem ser reféns de uma arquitetura proprietária, isso não é mais condizente com os dias atuais. É importante destacar também que a Huawei já é fornecedora de soluções para o governo brasileiro há muitos anos. Agora, queremos ampliar essa parceria por meio da nuvem pública.
 
DCD: Gostaria que falasse um pouco do projeto, realizado a partir da própria nuvem da Huawei, juntamente com o governo da China.
 
L.W.: A China entendeu que o investimento em tecnologias de informação e comunicação é o caminho para o crescimento do país. Com base nessa premissa, a China tem adotado uma série de tecnologias para melhorar a gestão pública e reduzir custos. Uma estratégia interessante da China é o que eles chamam de “um número, uma janela, uma rede” na qual os cidadãos conseguem acessar dados e realizar suas transações e consultas com o Governo em apenas um lugar. Isso é possível pela colaboração entre departamentos e ministérios que só a nuvem pode oferecer.
 
 
 
 

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