Universidade Federal do Rio Grande do Norte é referência em estudo sobre Computação em Nuvem no Brasil

Professor Pós-Dr. Manoel Veras é o principal autor brasileiro sobre o tema no país
 

9 August 2017 escrito por Tatiane Aquim

Universidade Federal do Rio Grande do Norte é referência em estudo sobre Computação em Nuvem no Brasil
Professor Dr. Manoel Veras
O artigo “Computação em Nuvem: como está a literatura nacional acerca do tema? Adoção, Insights e Novos Rumos”, de autoria de Luiz Pinheiro, da Escola de Administração de Empresas, da Fundação Getúlio Vargas (FGV – SP), publicado no ENADI 2017, colocou a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) como a principal instituição brasileira em publicações acadêmicas sobre Computação em Nuvem, e o professor Doutor Manoel Veras, como principal autor brasileiro sobre o tema.
 
Professor associado IV da UFRN atuando na área de Administração, com ênfase em Tecnologia da Informação, Manoel Veras é reconhecido pela indústria Amazon; recebeu um prêmio em créditos para uso da nuvem Amazon AWS, por ser considerado o acadêmico mais  influente na área de Computação em Nuvem no Brasil.
 
Pós-doutor pela Universidade do Minho de Portugal, é autor de mais de cem artigos acadêmicos e de vários livros na área de Tecnologia da Informação e Gerenciamento de Projetos, com foco em Capacitação Profissional. Dentro da UFRN, é assessor técnico da secretaria de gestão de projetos. Faz parte do conselho de desenvolvimento acadêmico do Instituto Metrópole Digital e, é o atual coordenador do Programa de Pós-Graduação em Administração. Possui experiência no setor público e privado.
 
Em entrevista, o professor conta um pouco do seu trabalho, fala sobre as mudanças ocorridas no mercado brasileiro desde a chegada da Computação em Nuvem, e aponta as características da cloud no Brasil.
 
DatacenterDynamics: Gostaria que falasse um pouco sobre o seu trabalho em Computação em Nuvem. Quando começou a se ocupar do tema?
 
Manoel Veras: Eu comecei em 2009. Tinha realizado uma série de projetos de infraestrutura pelo Brasil para a Dell, de 2000 – 2008; e verifiquei nos últimos três anos, o quanto a virtualização estava ajudando as empresas a otimizar o uso dos recursos. Quando entendi o conceito de Computação em Nuvem, vi que era a evolução natural da virtualização. Passei então a me dedicar ao tema. Na universidade, fomos os primeiros a tratar a Computação em Nuvem na perspectiva de melhoria do desempenho e disponibilidade dos serviços de TI para a organização. Ou seja, na perspectiva do negócio. Realizamos diversos projetos, publicamos artigos e orientamos teses e dissertações com foco em Computação em Nuvem.
 
DCD: O Brasil já chegou a um consenso sobre o que é a Computação em Nuvem?
 
M.V.: Sim. A definição do NIST (National Institute of Standards and Technology | NIST) é muito bem aceita por aqui. Claramente, a Computação em Nuvem é um modelo para habilitar o acesso por rede ubíquo, conveniente e sob demanda a um conjunto compartilhado de recursos de computação (como redes, servidores, armazenamento, aplicações e serviços) que possam ser rapidamente provisionados e liberados com o mínimo de esforço de gerenciamento ou interação com o provedor de serviços. Se a solução de Computação em Nuvem não tem aderência a este conceito, temos um problema.
 
DCD: Desde o início de suas pesquisas em Computação em Nuvem até agora, qual é a avaliação que você faz? Avançamos? Amadurecemos? Qual é o panorama hoje?
 
M.V.: Avançamos bem. O panorama agora é de pôr a nuvem para funcionar. Ainda temos muitos curiosos, mas já existe uma massa crítica de profissionais que sabem fazer a migração para a nuvem. A universidade também avançou com o tema. A formação de mão de obra é uma questão crucial para o desenvolvimento da Computação em Nuvem no Brasil.
 
DCD: Em termos de Computação em Nuvem no Brasil, o que ainda falta e o que sobra?
 
M.V.: No Brasil, temos ainda um gap em relação as condições da banda de internet em algumas regiões, mas isto tem melhorado. Formação de mão de obra é outro gargalo que aos poucos está melhorando. Questões de segurança também precisam avançar, no sentido de desmistificar o conceito que ainda está muito ligado a perda de segurança, o que é, um equívoco.  O modelo de financiamento da TI também precisa ser melhor explicado. Acabam as grandes aquisições de ativos de TI e surgem aquisições de novos serviços de TI. Executivos de outros setores precisam saber disto. Falta esclarecer estes conceitos. O que sobra? Eu diria que temos melhorado a disponibilidade de data centers no Brasil. 
 
DCD: Em termos de nuvem, quais são as boas práticas? Existe um manual a seguir?
 
M.V.: As boas práticas são relacionadas ao processo de migração cuidadoso, observando a real condição de fazer a migração para a nuvem e o esclarecimento dos ganhos potenciais. É importante saber se as aplicações utilizadas de fato estão prontas para a nuvem e quais os reais benefícios de migrar para o ambiente de nuvem. Um bom projeto é a chave da questão. Ele deve envolver reais benefícios, governança, definição clara das entregas, a avaliação e a resposta aos riscos.
 
DCD: Que serviços de Computação em Nuvem são oferecidos no Brasil e quais são as suas características?
 
M.V: Existem diversos serviços oferecidos no Brasil relacionados a infraestrutura, que envolvem grandes fornecedores de nuvem já com data centers localizados no Brasil, como Amazon AWS e Microsoft Azure. Integradores de soluções como Dedalus e Mandic. Estruturas de data centers, base da Computação em Nuvem, espalhadas por todo o território nacional como Equinix, Ascenty e Embratel. Redes de fibra óptica disponíveis em boa parte das capitas e grandes cidades do interior. Empresas fornecedoras de soluções das mais diversas com foco em migração, gerenciamento, segurança, etc. Estamos avançando. 
 
DCD: Em que nível os serviços oferecidos no Brasil, classificados como Computação em Nuvem, atendem aos quesitos que definem o conceito de Computação em Nuvem?
 
M.V.: Como em todo o mundo, com a febre da Computação em Nuvem, é natural que todos digam que possuem algum serviço de Computação em Nuvem. Mas rapidamente, considerando o conceito básico, é possível verificar quem de fato é um provedor de Computação em Nuvem. Eu diria que no Brasil já temos vários provedores e prestadores de serviços de Computação em Nuvem.
 
DCD: Quais as motivações das empresas na escolha do fornecedor de Computação em Nuvem?
 
M.V.: As motivações passam por credibilidade, desempenho, suporte, custo/benefício, segurança, disponibilidade de data centers em território nacional por questões de marco regulatório.
 
DCD: Há diferença entre os serviços contratados de fornecedores nacionais e estrangeiros?
 
M.V.: Os fornecedores estrangeiros pela sua capacidade de investimento acabam por oferecer uma gama maior de serviços e funcionalidades, uma verdadeira plataforma. Os fornecedores nacionais também avançam, mas não lideram este processo. Fornecedores nacionais customizam as soluções como forma de obter um diferencial competitivo, já que com a escala dos provedores globais é difícil competir em preço e no investimento.
 
DCD: Quais os serviços de Computação em Nuvem mais adotados pelas empresas brasileiras?
 
M.V.: Serviços de infraestrutura com foco em processamento e armazenamento na nuvem. Envolve diversos serviços de rede, segurança, balanceamento de carga de serviços web, acesso. Serviços de software são muito comuns também. Novos serviços relacionados a Big Data e aplicações analíticas avançam.
 
DCD: As opções de adoção de Computação em Nuvem são semelhantes às das terceirizações tradicionais?   
 
M.V.: Não. A oferta é totalmente diferente. A condição essencial da Computação em Nuvem é de pagar pelo uso. Trocar em boa parte o modelo financeiro de aquisição de TI de Capex para Opex. Se o provedor cobra uma taxa única por mês, não temos aí uma solução de Computação em Nuvem. Outro aspecto é a escalabilidade. Se o provedor não consegue escalar a infraestrutura de forma automática, temos um problema, não temos a Computação em Nuvem. Pode-se considerar com alguma margem de erro que a Computação em Nuvem é o avanço natural da terceirização tradicional. 
 

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