Fibra Ótica: importância, investimentos e características

Demanda no Brasil é crescente

15 May 2017 escrito por Tatiane Aquim

Fibra Ótica: importância, investimentos e características
Ricardo Claro, gerente de Marketing e Desenvolvimento de Mercado para América Latina da Corning
Quando o assunto é cabeamento, no mundo de hoje é necessário que as redes sejam construídas para suportar cada vez mais tráfego de dados, de modo econômico e mais eficiente. 
 
As soluções óticas cumprem esses requisitos e por isso estão conquistando os mais diversos setores, como data centers. O investimento em redes óticas tem crescido de norte a sul do Brasil, tal crescimento tem sido impulsionado pelo aumento de infraestrutura em backbones e backhauls para aumento da cobertura celular 3G/4G, além do investimento para implantação de redes fixas de acesso FTTH (fiber-to-the-home), que proporcionam acessos em altas velocidades ao usuário. A implantação de redes FTTH tem aumentado a demanda de serviços de banda larga, que vem crescendo no país. O destaque são os provedores regionais, que se aproveitam da falta de oferta das grandes operadoras, fora dos grandes centros e estão impulsionando o investimento em redes.
 
Confira aqui uma entrevista exclusiva com Ricardo Claro, gerente de Marketing e Desenvolvimento de Mercado para América Latina da Corning, provedor de acessórios para construção de redes óticas, com soluções para data centers, com foco em escalabilidade e alta densidade. 
 
DatacenterDynamics: A atual situação econômica tem limitado os investimentos?
 
Ricardo Claro: É natural que em um cenário econômico instável, os investimentos acompanhem esta volatilidade. Porém, nossa percepção é de que no setor de Telecomunicações, isso aconteceu de forma mais branda, e talvez por isso que o setor já mostre uma retomada acelerada nos investimentos e sirva como acelerador para a recuperação da economia do país.
 
DCD: De onde vem a demanda por redes óticas?
 
R.C.: Novos serviços por provedores tanto de conteúdo quanto de novas aplicações exigem altas velocidades de conexão, onde quer que o usuário esteja e em qualquer dispositivo. Isso faz com que tanto as redes fixas quanto as redes móveis estejam adequadas a esta demanda. Para suprir estas necessidades, as redes de fibra ótica são a melhor solução tecnológica para proporcionar o meio de transmissão da banda requerido, isto pela economia na implantação e por estar adequada a tecnologias futuras, desde os data centers, conexão das antenas celulares, casas e dispositivos móveis dos assinantes.
 
DCD: Como estão os projetos das operadoras?
 
R.C.: Para este ano e seguindo até 2019, as grandes operadoras estão demonstrando otimismo na apresentação de seus planos, com promessa de investimento forte e crescimento acelerado em redes fixas e móveis, aliadas à oferta de novos serviços. As grandes operadoras do país estão implantando projetos FTTH, seguindo na melhora e manutenção de suas redes, o que demonstra o contínuo progresso dos projetos locais. Outro ponto de grande investimento pelas operadoras é para a modernização das centrais e data centers para viabilizar a comercialização de novos serviços e diversificar a fonte de receita. Isto não impede, porém, a adoção em conjunto de Data Centers Colocation, tendência mundial de compartilhamento da estrutura de terceiros.
 
DCD: Como a Computação em Nuvem tem influenciado os investimentos em fibra?
 
R.C.: Estes serviços utilizam o processamento remoto, aliviando a capacidade do dispositivo. Por outro lado, exigem grande troca de informações entre os dispositivos e os centros de processamento, o que requer velocidades mais altas de conexões fixas e móveis, requerendo mais uma vez redes preparadas para trafegar altas velocidades de dados e data centers preparados para processar a informação armazenada ‘na nuvem’.   
 
DCD: E o crescimento do 4G?
 
R.C.: A tecnologia 4G, por trabalhar frequências mais altas, reduz sua área de abrangência, requerendo um maior número de torres. Este fator, aliado ao aumento da velocidade oferecida e do número de dispositivos conectados, torna necessário a construção de novas redes, que devem ser de fibra ótica para levar o sinal até as antenas. Este investimento, porém, já deixa uma infraestrutura preparada para o recebimento do 5G, futuramente. Em comparação com outras regiões no mundo, o Brasil e a América Latina ainda apresentam índices pequenos de cobertura 4G, porém com um cenário de forte investimento nos próximos anos.
 
DCD: Como a tecnologia de comunicação ótica deve evoluir?
 
R.C.: Do lado dos equipamentos ativos, é recorrente o anúncio de recordes de velocidade e da adoção de novos métodos de transmissão para o aumento do tráfego de dados. Por outro lado, as redes passivas óticas são praticamente à prova de futuro, uma vez que estão aptas a receber velocidades altíssimas, dependendo apenas da troca dos equipamentos de ambas as pontas. O que se nota é a evolução na arquitetura das redes, que são cada vez mais convergentes, comportando diferentes tipos de serviços e métodos de construção, que são cada vez mais rápidos, com o aumento da oferta e adoção de soluções plug-and-play. 
 
DCD: Como o conceito de Redes Definidas por Software tem mudado o mercado?
 
R.C.: Com os conceitos de NFV (Virtualização das Funções da Rede) e SDN (Redes Definidas por Software), os hardwares responsáveis por diversos serviços da rede estão sendo substituídos por máquinas virtuais. Isso gera uma economia no Opex das redes e, principalmente, a possibilidade de inclusão de novos serviços de forma virtual e automática, gerando novas fontes de receita às operadoras, de forma rápida. NFV e SDN permitem ainda que, no caso de uma falha, o serviço seja assumido por outras máquinas virtuais em nuvem, evitando com isso a interrupção do serviço, garantido a satisfação dos usuários e evitando penalidades ou migração de clientes.
 
DCD: Quais aplicações devem exigir aumento da rede de fibra nos próximos anos?
 
R.C.: FTTH, Small Cells, 5G e IoT. O aumento da procura por pacotes triple-play e de maiores velocidades, o alto custo de manutenção das redes de cobre aliados à baixa penetração de fibra até a casa, faz com que o FTTH ainda seja um dos maiores impulsionadores para a construção de redes de fibra ótica. 
A escassez de espaço para antenas de grande porte e a menor área de cobertura do 4G, principalmente em áreas internas, a adoção de pequenas antenas de celular, chamadas de small cells, são outros itens que devem alavancar a construção de redes óticas. Estas antenas também serão de extrema importância com o advento do 5G, que será a rede móvel capaz de suprir um imenso número de dispositivos conectados, que crescerão exponencialmente com IoT/M2M.
 
DCD: Rede Sinérgica é uma tendência? 
 
R.C.: Para atender toda esta demanda por redes óticas, uma maneira inteligente de se fazer melhor uso do investimento, é aproveitar a excelente capilaridade das redes FTTH para levar a fibra também até as antenas. As redes construídas com este fim, chamadas de redes convergentes ou sinérgicas, utilizam uma mesma rede ótica para atendimento de diversos serviços, como FTTH, 4G e empresarial, por exemplo. Com isso evita-se a construção paralela de redes para atender diferentes serviços, como acontecia até hoje, com as redes de cobre. Isto só é viável pela alta capacidade de transmissão da fibra.
 

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