Empresas no Brasil já pagam 50% de taxa para locar dados fora do país

Daniel Fazenda Freire, engenheiro civil e diretor da TIER4 Intelligent Solutions, explica os prós e contras do Ato Declaratório, valido desde 18 de outubro deste ano
 

6 November 2014 escrito por DatacenterDynamics - Focus

Empresas no Brasil já pagam 50% de taxa para locar dados fora do país
Daniel Fazenda Freire
A TIER4 Intelligent Solutions  é uma empresa integradora de soluções na área de TI, focada na construção, otimização e implantação de data centers. Disponibiliza aos clientes infraestrutura física adequada para o armazenamento de equipamentos, servidores e aplicações – com segurança física, conectividade, climatização e suprimento ininterrupto de energia elétrica. A empresa de São Paulo atende de Pequenas e Médias Empresas à transnacionais, apresentando em seu portfólio soluções que vão desde a construção e monitoramento de data center, com a manutenção preventiva e corretiva dos centros de dados, ao fornecimento do tradicional Pre Fab Data Center, destinado às demandas de maior porte; e o Data Bunker, com foco na prestação de serviços para as PMEs.
 
Atenta às questões que impactam o setor de data center brasileiro, a TIER4 Intelligent Solutions, na pessoa de seu engenheiro civil e diretor, Daniel Fazenda Freire, fala sobre as vantagens e desvantagens do Ato Declaratório, instituído pela Receita Federal, em vigor desde o dia 18 de outubro.
 
DatacenterDynamics: Desde que o Marco Civil da Internet foi aprovado, um dos itens discutido e retirado da pauta foi que empresas (brasileiras e estrangeiras) deveriam sofrer sanções na locação de Data Centers fora do Brasil. Como você enxerga este cenário? 
Daniel Freire: As sanções previstas que foram retiradas do Marco Civil demonstravam uma forma de protecionismo do mercado nacional, o qual não foi para frente. Estamos cada vez mais conectados à economia globalizada. 
 
DCD: Mesmo assim foi aplicado um Ato Declaratório pela Receita Federal que tenta inviabilizar a contratação de serviços de data center fora do Brasil. Quais os prós e contras desta medida? 
D.F.: Para as empresas nacionais é um bom momento, pois as obrigará a iniciar ou expandir a operação por aqui, a fim de reduzir os custos finais para o cliente final. Mas isso não acontece do dia para noite. Para aplicar a medida financeira às empresas que estão no Brasil é necessário planejamento, adaptação do mercado e infraestrutura adequada por aqui.
Com isso, os clientes que ainda têm mais confiança em provedores internacionais – e os que têm suas operações de TI hospedadas fora do Brasil pagarão valores maiores, visto que estão modificando as regras de tarifação sem nenhum critério comercial que beneficie as empresas em geral. 
 
DCD: É possível afirmar que as empresas de infraestrutura e colocation terão um espaço maior, ampliando investimentos em infraestrutura e de dados no Brasil? 
D.F.: As empresas nacionais tendem a viver um momento ímpar, pois a concorrência forte das empresas estrangeiras que possuem muita infraestrutura fora do Brasil perderá força, devido ao aumento de preço com a nova tarifação da Receita Federal. 
 
DCD: Avista-se que o governo brasileiro está indo na contramão do mercado internacional. De que forma você acredita que as empresas internacionais atuarão a partir de agora?
D.F.: Uma tarifação deste gênero demonstra que o Governo Federal está pensando em curto prazo. No lugar de trazer empresas para o Brasil, com incentivos, simplesmente se coloca uma barreira financeira que protege a indústria nacional agora. Mas em longo prazo se mostra ineficaz, visto que o mercado tende a não aceitar bem sanções ou imposições sem que haja as devidas adequações.
 
DCD: E como ficam as empresas brasileiras de TI, que fornecem serviços de data center?
D.F.: O mercado brasileiro de data center é muito novo, em relação ao mercado internacional. Temos um grande potencial de crescimento estimado em torno de 24% ao ano – isso sem a taxação da Receita Federal. Com isso, muda-se novamente essa previsão, que com certeza será para cima.
Um dos nossos gargalos, é que ainda não temos mão de obra qualificada o suficiente para ambientes de missão critica. Esse mercado no Brasil tem como base pessoal de TI e engenharia elétrica para lidar com estas questões; é devido a complexidade de material humano e o alto investimento inicial que as empresas do mercado de data center, atuantes no Brasil, costumam tomar decisões de médio a longo prazo.
 
Daniel Fazenda Freire é Engenheiro Civil e diretor das empresas D2F Engenharia e TIER4 Intelligent Solutions. Formado pela Escola de Engenharia Mauá, há mais de 15 anos trabalha com a entrega de projetos de construção e reforma para redes varejistas, empresas e pessoas físicas com foco em data center e soluções para armazenamento de dados. Além disso, participa em empresas de diversos segmentos como investidor e mentor de inovação e tecnologia.
 

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