TI brasileira: gargalo para estratégia ou propulsora de negócios?

Sobre avanços, atrasos e estagnação do mercado brasileiro de TI, a Datacenter Dynamics conversou com Clóvis Brum, Engenheiro da Oi

1 October 2013 escrito por Tatiane Aquim

As denúncias de Edward Snowden continuam dando o que falar e fez o governo acelerar a homologação do Marco Civil da Internet, projeto de lei que visa garantir direitos e deveres na internet brasileira, que estava parado na Câmara dos Deputados desde 2011.

Dentre outras coisas o projeto obriga empresas de computação em nuvem e publicidade digital a manterem um data center no Brasil.

Com 100 milhões de usuários de internet e o crescimento de outros 50 milhões até o fim do próximo ano, o Brasil é o quarto maior mercado de telecom no mundo.

Em relação a outros países do BRICS, o mercado de TI brasileiro supera o da Rússia e da Índia, ficando atrás somente da China. A intenção é atingir a terceira posição no mercado de TI e Telecomunicações até 2022. Para alcançar tal meta, será preciso quase dobrar este faturamento, para algo como US$ 430 bilhões.

Sobre avanços, atrasos e estagnação em TI no Brasil, conversamos com Clóvis Brum, atualmente Engenheiro da Oi, responsável pela gestão técnica em mais de 9.000 m2 de área útil de TI, com a atividade de Engenheiro Consultor para planejamento, concepções e elaborações de projetos de missão crítica, acompanhamento de implantações, comissionamento e manutenção de Infraestrutura de Data Center, para os 10 sites da Oi em todo país.

Quando perguntando sobre a exigência do governo às empresas estrangeiras de que armazenem no país os dados de brasileiros, o engenheiro diz que é dever de cada país zelar pela segurança da sua propriedade intelectual e que apesar de saber que por razões comerciais a medida não será posta em prática, a curto prazo, acredita na real efetivação dela.

“Eu acredito que essa exigência do governo vai ajudar a fortalecer o mercado interno de data center, porque vai fazer com que empresas de Internet, hospedagem de clientes para multi-atividade de TI invistam no Brasil. Isso é benéfico no sentido de capitalizar investimentos estrangeiros no Brasil,” disse ele.

Recentemente o governo anunciou que vai aumentar em 40%, os investimentos em data center, mas segundo o engenheiro esse investimento não garante uma produtividade, já que não existe um acordo entre o Ministério de Minas e Energia e as concessionárias, quanto a disponibilidade de energia em cada um dos grandes centros urbanos e poucas são as empresas que vão querer investir em lugares com pouco desenvolvimento; especialmente se a intenção delas for o colocation.

“As grandes empresas estão nos grandes centros urbanos e as empresas querem estar próximas da unidade que está processando as suas informações. Por isso, para que esse investimento seja proveitoso é necessário um entendimento mais amplo entre o Ministério de Minas e Energia e as concessionárias de energia locais,” acrescenta.

Segundo os analistas, o Brasil é a bola da vez. Isso porque lidera demandas altamente dependentes de infraestrutura de processamento e armazenamento, como big data, cloud e mobilidade, que exigem alto desempenho para administrar grandes volumes de informação.

Atualmente o Brasil tem 58% dos data centers da América Latina. Isso seria um fator determinante para tornar o país um hub do cloud computing se a média de impostos não fosse maior que a dos países vizinhos e os gastos com Opex não chegassem a ser 46% mais caros do que em outros países.

“As concessionárias no Brasil não estão preparadas para expansão que o governo propõe. Se o governo não tiver força de vontade para resolver a questão da disponibilidade de energia, em um curto espaço de tempo, as burocracias, os impostos e demais entraves, vão impedir a liderança do país na América Latina,” diz o engenheiro.

Para isso, segundo ele, é necessário ser competitivo em âmbito de Opex e efetivar o incentivo fiscal, no sentido de minimizar a questão de tributação para o investimento, já que os grandes investidores em data centers procuram municípios onde o incentivo a tributação é maior.

Para o engenheiro da Oi, a saída para o Brasil, em termo de data center, é construir novas instalações e não reformá-las.

“Reformar uma instalação existente é complexo e caro. Na minha opinião a saída é construir data center com foco de data center.  Com tecnologia atualizada, com novas tendências de mercado, com PUE já calculado e projetos conceituais otimizados.  Jamais pensar em Tier IV, porque o custo-benefício não é adequado. O Tier III vem com a manutenção eficiente e mantém um SLA tão bom quanto o TIER IV,” afirma ele.

Sobre data centers sustentáveis, Clóvis Brum diz que o país ainda tem poucos data centers verdes, o que não significa que não haja uma conscientização das empresas. Segundo ele, a falta de data centers verdes no Brasil deve-se ao fato da maioria dos data centers no país terem sido feitos por projetistas estrangeiros, que não conhecem a realidade do país.

 

 

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