Mudar o data center da gestão reativa para a análise preditiva

Chegar ao nível da automatização do data center já é tecnologicamente possível, mas ainda há muito caminho a trilhar para se chegar a esse patamar

11 June 2013 escrito por DatacenterDynamics FOCUS

Mudar o data center da gestão reativa para a análise preditiva
Pedro Nobre, da Schneider Electric

Pedro Nobre, da Schneider Electric, explica como o software para esta área tem evoluído de forma exponencial e como a infraestrutura física demora mais tempo a acompanhar este crescimento.

Como classifica o parque de data centers em Portugal, em relação ao modelo de maturidade?

Em Portugal, como na maior parte do mundo, do ponto de vista da maturidade na gestão dos data centers, ainda se faz muito a gestão alarmística do dia-a-dia e faz-se muito pouco do ponto de vista de análise de capacidade, análise preditiva, reporting customizado, etc. E é isso que estamos a tentar alavancar, ou seja, dar aquele salto do nível II, em que ainda é reactivo, em que se monitorizam os alarmes (o que já é melhor do que nada) e depois se reage de acordo com aquilo que ocorre no dia-a-dia. O que estamos a tentar fazer é dar o salto para as camadas de cima, onde se consegue fazer já análise preditiva e, em última instância, fazer a automatização do próprio data center - em que ele próprio é capaz de corrigir automaticamente os problemas que tenha.

Acha que essa perspectiva pode ser concretizada a médio prazo?

Pode, mas é quase uma ‘Alice no País das Maravilhas’ ir ao nível da automatização. Porém, há coisas que já se conseguem fazer. Um exemplo é a virtualização, linkando a parte dos SCTi’s com a parte da infra-estrutura. Do ponto de vista da automatização, há muito para fazer, como por exemplo: se tivermos um abaixamento de cargas eléctricas no data center, fazer com que os sistemas modulares de UPS baixem automaticamente também o nível de módulos que têm a produzir a potência. Mas para lá caminhamos. É algo que não vai acontecer este ano, mas diria que, no espaço de uns cinco anos, este tipo de ferramentas associadas às infra-estruturas que têm de existir debaixo do data center vai permitir fazer isso. No seu mais alto expoente, algumas destas questões já se fazem, mas de forma 100% automatizada creio que vai acontecer no espaço de cinco anos. Do ponto de vista de software, isto tem evoluído de uma forma incrível - é exponencial o nível de evolução. Mas tem de ser acompanhado também pela infra-estrutura física e isso demora mais tempo, especialmente se estivermos a tentar gerir um data center de uma geração anterior.

Como se supera o desafio de mostrar essa optimização do data center nos actuais tempos de crise económica, onde não há tanto investimento disponível?

É pela parte da eficiência. Por isso é que linkámos o nome DCIM (Gestão da Infra-estrutura de Data Centers) à eficiência, ou seja, é numa altura de crise que, mais do que nunca, se faz a racionalização de custos operacionais. É aí que se pretende intervir, ou seja, mais na racionalização dos custos operacionais das empresas, que passam não só pela eficiência energética como também pela racionalização operacional e processual das próprias pessoas que gerem o data center. Vamos imaginar um exemplo: do ponto de vista da eficiência energética, as pessoas percebem logo o conceito; do ponto de vista processual, é mais difícil de entender, mas imagine-se um data center onde está um servidor que fica bloqueado (como os nossos PC’s, com o ecrã azul), e o que se faz nessa altura é power off/power on localmente. Que impacto é que isso tem do ponto de vista processual? E depois também tem custos operacionais - por exemplo, à noite, alguém tem de se levantar, pegar no carro, conduzir até à empresa, chegar lá e fazer power off/power on... Com este tipo de software, hoje em dia, é possível linkar à infra-estrutura e fazer essa acção a partir de casa. Ou seja, mais do que eficiência energética, é também uma questão de eficiência de processos, que depois também tem influência nos custos operacionais da empresa. É este o objectivo com este tipo de soluções.

Qual tem sido a reacção que têm tido por parte dos gestores a estas propostas?

Muito boa. Toda a gente quer ter. A primeira pergunta é: podemos ter uma coisa destas? Pode. A segunda é: qual é o preço? E é a única questão que aparece aqui, às vezes, como entrave. Temos necessidade de diminuir os custos operacionais (OPEX), mas por vezes não há a capacidade de investimento para depois termos o retorno de investimento em custos operacionais. O que estamos a tentar fazer é dar ferramentas às pessoas que gerem os data centers para que consigam transmitir estas mensagens aos níveis de cima e encontrar muitas vezes os fundos que não teriam sem este tipo de ajuda. E eventos como o Data Center Dynamics, com este tipo de evangelização, servem também para isso mesmo.

Tem sentido que o ‘boom’ do cloud computing tem ajudado a alertar para a questão do data center?

Também. O cloud computing, à partida, poderia ser algo desfavorável ao nosso negócio, assim como foi a virtualização, porque obviamente o cloud computing diminui a necessidade de infra-estrutura física e de activos, mas, como traz um conjunto de requisitos muito mais avançados do ponto de vista de gestão, acaba por alavancar outras áreas de negócio, como, por exemplo, o DCIM. O cloud computing, na realidade, foi uma oportunidade nova de negócio. Tem entraves do ponto de vista do negócio tradicional, mas, se conseguirmos posicionar o negócio noutras vertentes, conseguimos extrair lucros destas novas tendências. Portanto, o cloud computing também nos ajudou a alavancar o negócio e, no nosso caso, a diversificar a oferta.

As empresas nacionais estão conscientes das vantagens da modularidade como solução para expandir o data center?

Há um despertar para isso. Digamos que a evangelização que se está agora a tentar fazer a nível de software começou há 10 anos com a modularidade. De lá para cá tem havido um despertar por parte das organizações para este tipo de soluções. Na sala da conferência do Data Center Dynamics estavam exemplos de clientes nossos com soluções destas e que estão satisfeitíssimos. Existe, de facto, essa consciência, embora, como em todos os casos, também houvesse pessoas naquela sala que têm data centers tradicionais e que optaram por construí-los dessa forma - alguns já antigos, quando ainda não havia estas novas tecnologias, e outros já foram construídos assim (apesar de existirem estas novas tecnologias) porque os decisores optaram por ter soluções tradicionais naqueles casos concretos. Em termos de conclusão, sim, existe já essa percepção do mercado da modularidade e das suas vantagens.

Além do DCIM, que outras soluções da Schneider Electric para data center têm tido melhor receptividade no mercado português?

Claramente, as relacionadas com a modularidade, com UPS modulares, e o arrefecimento de precisão de proximidade, ou seja, em vez de tentarmos arrefecer salas, tenta-se arrefecer o que queremos mesmo arrefecer e que é o conteúdo dos bastidores com máquinas de ar condicionado localizadas perto das cargas. Esses são os três pilares em termos de crescimento agora: o software (com o DCIM), a modularidade e o arrefecimento de proximidade. São os pilares em termos de diversificação de negócio a nível mundial e Portugal reflecte aquilo que acontece no estrangeiro, não fugimos à regra. Acho que estamos muito dentro da média daquilo que acontece nos outros países, pelo menos daquilo que vejo quando vou ao estrangeiro e daquilo que falo com os meus colegas. Existe um despertar muito grande para este tipo de tecnologias, mas há quem opte por não as implementar - é uma questão de decisão local.”

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