Brasil se prepara para ter domínio do ciclo de produção de satélites

Published on 16th May 2017 by Tatiane Aquim

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) – unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) – trabalha na construção do primeiro de uma série de satélites de médio porte, que podem colocar o Brasil entre as principais nações do mundo no desenvolvimento deste tipo de equipamento. Previsto para ser lançado no ano que vem, o Amazonia-1 terá a capacidade de fazer imagens de qualquer parte do planeta em até cinco dias – período necessário para dar uma volta completa ao redor da Terra.
 
De acordo com o  portal do MCTIC, o equipamento deve ser lançado ao espaço em 2018. Este é o primeiro de três satélites que integram a Missão Amazônia, que consiste na construção da Plataforma Multimissão (PMM), uma estrutura-base para a fabricação de satélites de conteúdo nacional e de câmeras capazes de fazer o sensoriamento remoto da superfície terrestre. A iniciativa partiu de uma demanda da Agência Espacial Brasileira (AEB) –entidade vinculada ao MCTIC.
 
"Não tem no Brasil uma plataforma desse nível de complexidade e com essas características. Embora já tenhamos construído satélites antes, não tínhamos ainda o ciclo completo: projetar, integrar o satélite, testar, efetuar o lançamento e operar o equipamento. Passamos a dominar o ciclo completo de satélites estabilizados em três eixos. Conquistamos uma autonomia para o país", destacou o coordenador do Programa de Satélites Baseados na PPM do Inpe, Adenilson Silva.
 
Os dados gerados pelas câmeras do Amazonia-1 serão descarregados pela Divisão de Geração de Imagens (DGI) do Inpe e poderão ser utilizados no controle do desmatamento e de queimadas na Amazônia Legal, além do monitoramento de recursos hídricos, de áreas agrícolas, do crescimento urbano e da ocupação do solo. Também servirão para atender outras aplicações similares, como o monitoramento da costa brasileira, dos níveis dos reservatórios de água, de áreas de florestas naturais e cultivadas, e desastres ambientais.
 
"Na parte ambiental, a Amazônia está mais em foco e também vamos ter uma atenção com as questões do território brasileiro. Mas o Amazonia-1 pode fornecer dados em qualquer lugar do planeta", explicou.
As informações obtidas ficarão à disposição da comunidade científica e de órgãos governamentais, além de usuários interessados em ter uma melhor compreensão do ambiente terrestre.
 
Tecnologia nacional
 
Os principais sistemas que vão compor a PMM são a estrutura mecânica, o suprimento de energia, o controle de altitude e o tratamento dos dados, a gestão de bordo, o controle térmico, a telemetria, telecomando e rastreio, e a propulsão. Tudo isso está sendo produzido por empresas brasileiras, sob a supervisão do Inpe. Cerca de 60% do investimento de R$ 270 milhões foi destinado à aquisição de componentes e sistemas produzidos por companhias nacionais.
 
"O programa sempre procurou ter ao extremo a participação da indústria nacional e o domínio de tecnologias. Por isso demoramos um tempo maior para construir. Incentivamos a indústria nacional com essa política", afirmou Adenilson Silva.
 
Próximos passos
 
O desenvolvimento de um satélite tem grandes marcos. O primeiro deles é a construção do modelo de engenharia, que visa validar e provar que o equipamento tem a funcionalidade para atender à demanda para a qual foi projetado. A segunda fase é a qualificação do equipamento para assegurar que ele é capaz de suportar as condições extremas do espaço sideral – as temperaturas variam de 80ºC quando está em uma parte iluminada e -80ºC no escuro. Depois de todo esse processo, é possível construir o modelo de voo, que é o que efetivamente será lançado ao cosmo.
 
Todo esse processo poderá ser reaproveitado para os satélites subsequentes da Missão Amazonia: o Amazonia-1B e o Amazonia-2. Com o bônus de uma economia significativa nos custos de construção dos modelos que estão por vir.
 
"O Amazonia-1 é um modelo de desenvolvimento. No Amazonia-1B, você só paga os custos do modelo de voo, porque elimina o desenvolvimento e a qualificação, que são as etapas que mais demandam tempo e recurso. É esperada uma redução de 50% do custo para a construção de um novo satélite", afirma o engenheiro Adenilson Silva.
 

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